Resumo
O objetivo do estudo é verificar se acupuntura auricular (AA) reduz a dor e aumenta a mobilidade cervical. Cinqüenta e quatro pacientes (40 – 60 anos de idade) foram investigados. O estudo foi dividido em dois grupos, um grupo controle (CG) e um grupo tratado (GT), com treze homens quatorze mulheres, ambos os grupos não ingeriram medicamentos. Os efeitos antes, durante e depois dos procedimentos, foram avaliados de acordo com a escala analógica (VAS) avaliando a dor cervical. O tratamento com acupuntura auricular foi realizado através de pressão em três pontos oitos vezes ao dia, a pressão foi mantida durante dez segundos. As sementes que foram utilizadas no estudo foram sementes de mostarda, estas foram fixadas com adesivos em pontos específicos na orelha de acordo com a teoria de microssistemas (acupuntura), durante seis dias. Após o sexto dia as sementes foram removidas. O procedimento foi realizado durante oito semanas. A dor foi analisada no grupo tratado com a técnica acupuntura auricular e no controle, de acordo com a escala VAS, depois do primeiro dia, do primeiro e do segundo mês. O percentual da intensidade da dor(%DI), rotação esquerda(%RE), rotação direita(%RD), capacidade de extensão(%CE), capacidade de flexão(%CF). Foi aplicado o pós teste o ANOVA – Turkey com p<0.05. Durante o tratamento foi observado significante redução do percentual da dor (%DI) e um significante aumento em toda a mobilidade cervical do grupo tratado. Concluindo , a acupuntura auricular(AA) pode ativar os meridianos e os colaterais, pode tratar muitas desordens no corpo, com odor cervical e alterações na mobilidade cervical.
Introdução
Alterações cervicais , como a dor, são queixas muito comuns, somente a dor lombar é a maior queixa antes de dor cervical. Ambas são muito freqüentes e existem várias práticas clínicas para tratamento dessas afecções (Lisinski et al., 2005). Sator et al (2004) descreve que a dor cervical crônica é tão comum quanto a dor lombar. Rubin (2007) estima que a dor na coluna acomete em média 66% da população, sendo que 15% tem dor torácica, 44% dor cervical, e 56% dor lombar. Contudo estudos mostram a prevalência de dor cervical e o impacto na saúde causado por este tipo de alteração e 14% dos pacientes que tem apresentam grau II a IV (dor moderada a forte, até intensa).
Cote et al (2004) demonstrou que 60% dos pacientes apresentou dor crônica persistente 60% durante cinco anos do início da dor. Entretando a dor cervical está associada com o aspecto social e econômico (Reyes et al., 2002; Picavet et al., 2003; Enthoven et al., 2004). Dor é o maior sintoma dos pacientes com desordem cervical.. Dor cervical é uma afecção epidemiológica comum. Uma das razões deste sedentarismo é o estilo de vida . Em geral o tratamento para a dor é com medicamentos que apresenta indesejáveis efeitos colaterais. A terapia alternativa ou complementar pode ser satisfatória por não ter a utilização de medicamentos.(Lisinski et al., 2005).
Material e Método
Todos os pacientes receberam informação verbal e escrita sobre a proposta do tratamento e os procedimentos. Eles tiveram a possibilidade de escolher participar ou não do estudo. Todos os pacientes assinaram um termo informando consentimento. O estudo foi baseado nas orientações do comitê de ética do Hospital Universitário Pedro Ernesto, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, com o seu consentimento.
O estudo foi realizado com 76 pacientes. O critério de exclusão foi (i)o uso de medicamentos durante o tratamento com acupuntura auricular, (ii) pacientes com protrusão discal com indicação cirúrgica; e (iii) pacientes com idade inferior a 40 anos ou superior a 60 anos. Seis não participaram do estudo devido a não concordarem com as regras , outros oito pacientes saíram por causa do uso de medicamentos, cinco pacientes não fizeram a correta pressão e também não fizeram parte, outros três foram excluídos por apresentarem protrusão discal com indicação cirúrgica. Após as exclusões cinqüenta e quatro pacientes conforme mostrado na tabela 1. Os pacientes com dor cervical foram divididos em dois grupos, um grupo controle e um grupo tratado, com 13 pacientes homens e 14 pacientes mulher cada. O grupo controle (GC) não foi tratado com acupuntura auricular, eles usaram as sementes nos mesmos pontos que o grupo tratado, porém não realizaram pressão em cada um dos três pontos auriculares. O grupo tratado(GT) realizou pressão nos três pontos auriculares ponto rim (Figure 1, point 1), coluna cervical (Figura 1, ponto 2) e nervo occipital menor (Figura 1, ponto 3). Os efeitos foram avaliados utilizando a “escala analógica visual” – (VAS) para dor cervical.
Os pacientes do grupo tratado aplicaram acupuntura auricular com pressão em cada um dos pontos três pontos oito vezes ao dia, a pressão foi mantida durante 10 segundos. Os pacientes do grupo controle não realizam pressão nos pontos determinados. A aplicação foi com sementes de mostarda usadas em pares em cada ponto. As sementes foram fixadas nos pontos de acupuntura específicos com esparadrapo (tipo cremer). O mecanismo de ação desencadeado foi (i) o estímulo aos meridianos da acupuntura, (ii) o estímulo ao sistema nervoso periférico e (iii) estímulo ao nervo occipital menor. A técnica foi mantida durante 6(seis) dias. No sexto dia os pacientes removeram as sementes, e outras sementes foram aplicadas novamente no sétimo dia, a técnica foi repetida durante 8(oito) semanas.O grupo tratado realizou (8) oito sessões de acupuntura auricular, no total de dois meses, uma vez por semana . A dor foi avaliada utilizando a escala VAS, comparando o grupo controle com o grupo tratado, a mensuração foi realizada antes do primeiro dia de tratamento, e depois primeiro e segundo mês. Foi também mensurado a mobilidade cervical, flexão, extensão, rotação esquerda e rotação direita. Os fisioterapeutas que avaliaram os pacientes não foram informados sobre quem era o grupo controle e quem era o grupo tratado, ou seja quem realizou ou não pressão nos pontos específicos, simplesmente avaliaram a intensidade da dor e o grau de mobilidade. A intensidade da dor foi mensurada (%PI) em cada grupo. Foi mensurado o percentual da rotação esquerda (%RE). O percentual da rotação direita(%RD), a capacidade de extensão (%CE), e a capacidade de flexão (%CF).
Resultado
O %PI reduziu significativamente (p<0.05) de 71.48±3.62 para 16.29±4.92 no grupo tratado GT quando comparado com grupo controle CG o percentual da dor modificou de 74.44±5.06 para 82.59±7.33 (fig 2). [fig. 2]
Na figura 3 o %CF aumentou significativamente (p<0.05) de 31.11±4.23 para 74.81±5.09 no grupo tratado quando comparado com o grupo controle (CG) e a capacidade de flexão reduziu de 33.88±6.40 para 30.74±2.66. [fig. 3]
A figura 4 mostra que %CE aumentou significativamente (p<0.05) de 36.66±4.80 para 70.37±5.17, no grupo tratado (GT) quando comparada com o grupo controle (CG) e a capacidade de extensão reduziu 35.18±7.52 para 34.44±5.06. [fig. 4]
O percentual de rotação esquerda (%RE) aumentou significativamente (p<0.05) de 42.59±4.65 para 65.55±5.06 no grupo tratado (GT) quando comparada com o grupo controle (CG) e a rotação esquerda reduziu 32.22±5.06 para 32.22±4.65.(fig 5). [fig. 5]
Na figura 6 o percentual de rotação direita (%RD) aumentou significativamente (p<0.05), de 21.11±3.20 para 65.92±5.00 no grupo tratado (GT) comparado com o grupo controle(GC) de 37.03±5.23 to 33.7±4.92. [fig. 6]
Tabela 1: Desordem dos pacientes com dor cervical.

desordem dos pacientes com dor cervical
Os pacientes foram divididos em dois grupos. O grupo controle (GC), grupo que não foi tratado com acupuntura auricular, o grupo tratado (GT), grupo que pressionou os pontos auriculares. Os pacientes de ambos os grupos não ingeriram medicamentos.

figura com os pontos utilizados
Figura 1: A figura mostra 3 pontos no pavilhão auricular, cada um representa diferentes regiões do corpo, que são estimuladas através da pressão nestes pontos específicos.

intensidade da dor
Figura 2 : Intensidade dor durante o tratamento de dor – durante dois meses. A figuramostra que a intensidade da dor cervical reduziu de acordo com a mensuração da escala VAS. * P<0.05.

Capacidade de extensão durante o tratamento da dor cervical
Figura 3: A capacidade de extensão durante o tratamento da dor cervical – durante doias meses. A figura mostra a evoluçào da capacidade de extensão, O resultado foi mensurado de acordo com a escala VAS. * P<0.05.

Rotação axial direita durante o tratamento da cor cervical
Figura 4: Rotação axial direita durante o tratamento da cor cervical – durante dois meses. A figura mostra a evolução da rotação axial para o lado direito, os resultados obtidos foram de acordo com a escala VAS. * P<0.05.

Rotação axial esquerda no tratamento de dor cervical
Figura 5: Rotação axial esquerda no tratamento de dor cervical – durante dois meses. A figura mostra a evolução da dor cervical para o lado esquerdo, os resultados foram obtidos de acordo com a escala VAS. * P<0.05.

Capacidade de flexão durante o tratamento de dor cervical
Figura 6: Capacidade de flexão durante o tratamento de dor cervical. – durante dois meses. A figura mostra a evolução da capacidade de flexão, os resultados foram obtidos de acordo com a escala VAS. * P<0.05.